Quando os primeiros colonizadores espanhóis chegaram à América, o cacau já era cultivado pelos índios, principalmente os Astecas, no México, e os Maias, na América Central. De acordo com os historiadores, o cacaueiro, chamado cacahualt, era considerado sagrado. No México os Astecas acreditavam ser ele de origem divina e que o próprio profeta Quatzalcault ensinara ao povo como cultivá-lo tanto para o alimento como para embelezar os jardins da cidade de Talzitapec. Seu cultivo era acompanhado de solenes cerimônias religiosas.
O CICLO DO CACAU
Naquela época não se tinha conhecimento da importância do chocolate na alimentação e só pensava-se em cultivar a cana-de-açúcar, que era o que rendia muito. Foi somente na século seguinte, nas primeiras décadas que os alemães chegados à região e, 1821 começaram o plantio do cacau como cultura rentável. Até 1890 foram os estrangeiros que plantaram cacau. A partir desta data é que houve uma verdadeira corrida para a ocupação das terras de mineração.
O cultivo do cacau passou a gerar um número sem fim de histórias, receadas de cobiça, amores e lutas pelo poder, formando um terreno fértil para os romances de Adonias Filho e Jorge Amado
A partir de meados da década de oitenta, a monocultura cacaueira sofreu um rude golpe na sua característica principal que era a de gerar muita riqueza. A seca constante provocada pelo fenômeno El Niño, os baixos preços internacionais e por último a praga denominada vassoura-de-bruxa, fizeram da cacauicultura uma atividade menos rentável.
A RELAÇÃO ENTRE O CACAU E O CHOCOLATE
O mundo civilizado só tomou conhecimento da existência do cacau e de chocolate depois que Cristóvão Colombo descobriu a América. Até então, eram privilégio dos Índios que viviam no Sul do México, América Central e bacia amazônica, onde o cacau se desenvolvia naturalmente em meio à floresta. Hoje, quase 5 séculos depois, derivados do cacau são consumidos em muitas formas, em quase todos os países, e fazem parte da vida do homem moderno. Estão presentes em todos os lugares: nas mochilas dos soldados e nas bolsas dos estudantes, em barras de chocolate de alto valor nutritivo; nos salões de beleza mais sofisticados, nas formas mais variadas de cosméticos; e nas reuniões sociais, através de vinhos e licores. Seus resíduos são utilizados como adubo e ração para os animais.
A ORIGEM DO CHOCOLATE
O Chocolate, bebida oferecida aos deuses nos rituais
dos Maias e Aztecas há milhares de anos, e
que é hoje utilizado das mais variadas formas,
até mesmo em pratos salgados, tem origem nas
sementes de cacau. O cacaueiro é uma árvore,
Theobroma cacao, que cresce nos países quentes
e húmidos e pode viver até 40 anos.
Floresce todo o ano e as suas flores despontam
directamente do tronco e dos ramos mais grossos
dando origem, por volta dos 4 ou 5 anos de idade,
aos frutos: as bagas, que podem ser cerca de 70
por ano. Cada baga contém 30 a 40 sementes envoltos
numa polpa branca: as favas, que têm um gosto muito
amargo.
Para as favas ganharem o gosto do cacau precisam de
fermentar; para tal são colocadas durante uma semana
em caixas, recobertas de folhas de bananeira, sendo
remexidas todos os dias. Já na chocolataria as favas
são limpas e depois torradas para lhes aumentar o aroma.
De seguida são esmagadas por máquinas formando uma pasta
amarga: a pasta de cacau, que é fortemente espremida para
lhe extrair a gordura: a manteiga de cacau.
Finalmente, para termos o tão desejado Chocolate basta
adicionar, à pasta e à manteiga de cacau, o açúcar e
mexê-los, sem parar, durante 2 ou 3 dias (para depois
se derreter em 2 ou 3 minutos na nossa boca). E para
quem prefere o Chocolate Branco fica já a saber que este
não leva pasta de cacau!
CHOCOLATE FAZ BEM AO CORAÇÃO
Substância presente no chocolate age como
protetor cardiovascular e contribui para transformar o
colesterol ruim em benefício para a saúde do coração .
O período que antecede a comemoração da Páscoa evidencia ainda
mais a guloseima favorita de muitas pessoas: o chocolate. Aliado
a sensações de prazer e bem estar, rico em carboidratos e
excelente fonte de energia, o chocolate também beneficia a saúde
do coração pois contém o flavonóide, uma substância presente na
semente do cacau que age como protetor cardiovascular. Quando
absorvida, a substância funciona como um filtro sangüíneo que
ajuda na redução da formação de placas de gordura e transforma o
colesterol ruim em substâncias benéficas para o bom
funcionamento do coração.
Um relatório apresentado pela Associação de Cardiologia dos
Estados Unidos, afirma que o chocolate ajuda a reduzir os riscos
de ataque cardíaco e diminuiu a tendência de coagulação das
plaquetas e de obstrução dos vasos capilares. "Embora sejam
comprovados os benefícios do chocolate para as doenças
cardiovasculares, é importante ressaltar que o consumo deve ser
em pequenas quantidades, uma vez que o chocolate contém gordura
saturada, açúcar e cacau que, em excesso, podem trazer efeitos
nocivos à saúde", afirma Daniel Magnoni, cardiologista e
nutrólogo do Hospital do Coração.
A base para a fabricação do produto é o licor de chocolate
(de 15% a 35% da composição), feito a partir da manteiga de cacau
(óleo de theobroma) e do açúcar. Como a gordura da manteiga de
cacau é vegetal e contém anti-oxidantes, ela auxilia no combate
aos radicais livres, responsáveis pelo entupimento das artérias.
Além disso, é rica em ácidos graxos saturados e insaturados que
servem para diminuir os valores de colesterol e triglicerídeos
e aumentar o HDL, o bom colesterol. Para as mulheres o chocolate
ainda ajuda na redução dos sintomas da síndrome de tensão
pré-menstrual.
O chocolate e o cacau em pó também contêm minerais como cromo,
ferro, magnésio, sódio, fósforo e potássio, e também vitaminas
A, B, C e D. A semente original apresenta quantidade
significativa de vitaminas E e B, mas com a adição dos outros
ingredientes, estas vitaminas encontram-se em baixas quantidades
no chocolate. E nesta época do ano, é possível observar uma
ampla variedade de chocolates, que para alcançarem estas fórmulas
requerem adição extra de manteiga de cacau. Com ela é possível
moldá-los de acordo com as necessidades culinárias e por isso é
importante ter atenção com a quantidade consumida.
CHOCOLATE: MITOS E VERDADES
- Mito: Para os diabéticos: os valores de glicose ingeridos no chocolate não são diferentes daqueles alcançados quando a glicose é ingerida por meio de outros alimentos;
- Verdade: Por ser vegetal, a gordura da manteiga de cacau não contém colesterol e o porcentual de gordura saturada e insaturada em sua constituição está dentro das recomendações estabelecidas pela Associação Americana de Cardiologia (AHA)
- Mito: O chocolate, desde que ingerido em quantidades moderadas, não representa nada diferente de ingerir outros carboidratos necessários ao organismo;
- Verdade: O chocolate libera endorfinas, podendo estimular o apetite sexual e causar sensações de bem-estar;
- Mito: O consumo de chocolate, ao contrário do que comumente se diz, não causa dependência do organismo. Na verdade, o estudo mostrou que as pessoas têm desejo por chocolate porque gostam da sensação de comê-lo;
- Verdade: O chocolate contém estimulantes alcalóides, como a cafeína e a teobromina, gerando um efeito energético que incide sobre a concentração e a capacidade física de quem o consome em quantidades moderadas.
- Mito: Não há embasamento científico na idéia de que a mistura de chocolate com determinados medicamentos provoca efeitos colaterais.